"— Você virou meu mundo de cabeça para baixo — aperto meus olhos tão forte que parece que sairiam das órbitas. Engulo em seco. Suspiro. — Nem meus sapatos ficaram mais tempo fora do lugar como estou fora de mim. Tudo era calmo, controlado e dentro dos parâmetros. Você entrou de rompante pela porta da minha vida. Eu mal tive tempo de me surpreender. Quer dizer, eu me surpreendi. Você veio todo com esses olhos impecavelmente belos, essa voz que parece canção de ninar, esse cabelo único, desalinhado feito uma floresta… e todo o resto. — Molho os lábios já secos. — Antes de você chegar, parecia que eu vivia em um filme antigo, preto e branco. Agora… agora tem mais cores em minha vida do que possa imaginar. Eu nunca me perdi, nunca. Agora mal sei onde estou. Pior: eu não quero me achar. Porque eu sei que estou aí, em você; em todos os centímetros de você. Então, pára. Não mova nem mais um tendão. Você não pode entrar sem ser convidado, causar um ambiente caótico em mim e simplesmente ir embora. Você não pode ir embora, droga! Eu… eu me apaixonei. Tem noção do quanto isso é assustador? Você conseguiu se impregnar em mim literalmente. Você esta em mim nesse momento. E eu preciso que você fique. — Olho para sua íris gelada. É irônico, pois ela parece me queimar. — Eu preciso de você, senhor confusão. Você não pode imaginar o quanto eu preciso que você fique. Eu não suportaria te perder. Eu não quero te perder. — Ele inclina a cabeça e me olha. Me olha daquela maneira que só ele sabe olhar. — Eu posso viver sem você. Você sabe, eu sei, nós sabemos disso. Mas não quero fazê-lo. — Suspiro. — Eu o amo. Eu o amo com toda a minha vida. Não posso deixar você ir. Ainda não terminei de gostar de você. Ainda não."
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O amor chega ao entardecer. (via saturnos)